Categoria: I Nostri Dicono
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Na manhã de domingo, 6 de abril, um grupo de 150 brasileiros caminhou e rezou pelas ruas de Roma pedindo o fim do tráfico de pessoas. O evento foi organizado pelo Grupo de Religiosos Brasileiros em Roma (RBR) e pela Comunidade Brasileira Nossa Senhora Aparecida, da Missão Latino Americana da diocese de Roma. Para Gimesson Silva, missionário Dehoniano, membro da equipe de coordenação, a Caminhada Penitencial, que já acontece há mais de 10 anos, realiza-se em sintonia com o convite do Papa Francisco de “uma Igreja pobre e para os pobres”, envolvida na luta pela justiça social a partir do Evangelho.

O encontro teve início com a celebração da Eucaristia as 7h30 da manhã na capela das Irmãs de Nossa Senhora de Lourdes, na via Sistina, centro histórico de Roma. O presidente da celebração foi o missiólogo padre Paulo Suess, assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que se encontrava em Roma na companhia de dom Erwin Kraütler, presidente do organismo e bispo da Prelazia do Xingu (PA), para um encontro com o Papa Francisco. Comentando o evangelho do dia que abordava a ressurreição de Lazaro, Paulo Suess recordou ser tarefa da comunidade cristã proporcionar experiências de ressurreição a todos aqueles que se encontram à margem da vida. Religiosos de países como Itália, Argentina, Índia, Indonésia e Filipinas pertencentes às diversas casas religiosas em Roma também se juntaram ao cortejo e rezaram pelas realidades de seus países. Para facilitar a comunicação, o texto da Via Sacra da CNBB foi traduzido para o italiano e também rezado nas comunidades.

O grupo escolheu como lema da caminhada “Com a vida não se joga, pelo fim do trafico humano” fazendo alusão a Copa do Mundo de Futebol que acontecerá no Brasil no próximo mês de junho e poderá ser ocasião de muita alegria, mas também um momento de se jogar irresponsavelmente com a vida das pessoas, especialmente com os mais débeis. A irmã Rosimery Gomes, da Congregação das Lurdinas, também da equipe de organização, salientou que a realidade do tráfico humano “deixa mais fragilizada a mulher e as crianças e que, os países desenvolvidos devem se sentir os primeiros responsáveis no combate a este tipo de situação”.

O padre Eduardo Pizzuti, missionário Scalabriano responsável pela Comunidade Brasileira se disse tocado pela liberdade com que o grupo se expressou na Via da Conciliação, em frente à Basílica São Pedro. Formando um circulo e chamando a atenção dos passantes “os religiosos se expressaram de forma espontânea e celebrativa, embora estivessem recordando e denunciando a trágica realidade do tráfico de pessoas”. Ele ressaltou também que a caminhada “chamou a atenção para esses dois aspectos do engajamento da Igreja no Brasil de trazer durante o tempo da Quaresma o aspecto da fé unido a uma questão social da qual precisamos de conversão, desta vez sobre o tráfico humano, tema que foi também abordado pelo Papa Francisco nos últimos dias”. A caminhada terminou com a oração do Angelus com o Papa Francisco na praça São Pedro, que por sinal estava superlotada.