Sep 19, 2021 Last Updated 5:13 PM, Sep 14, 2021

BOGOTÀ: MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA REUNIDOS EM ASSEMBLEIA CONTINENTAL

Categoria: I Nostri Dicono
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Teve início na manhã desta segunda-feira, dia 3, a Assembleia do Instituto Missões Consolata no Continente americano. O encontro que se estende até sábado, dia 8, reúne na Casa Regional IMC em Bogotá, capital da Colômbia, 35 missionários vindos do Canadá (América do Norte), México, Venezuela, Argentina, Brasil (Amazônia) e Colômbia. Estão presentes também o Superior Geral, Pe. Stefano Camerlengo, o Vice Superior, Pe. Dietrich Pendawazima, o administrador General, Pe. Rinaldo Cogliati e o Conselheiro Geral para a América, Pe. Salvador Medina que coordena os trabalhos. A Assembleia tem como objetivo elaborar o Projeto Missionário IMC para o Continente da América. Este encontro dá-se dentro de uma série de atividades realizadas após o XII Capítulo Geral do IMC (2011) que decidiu um caminho de continentalidade como forma de organizar e viver a missão.

 

Espiritualidade
O dia sempre inicia com uma reflexão sobre a "espiritualidade missionária da Consolata". O conferencista desta segunda-feira foi dom Joaquín Humberto Pinzón Güiza, IMC, novo bispo do recém criado Vicariato Apostólico de Puerto Leguízamo, na província de Solano, região amazônica colombiana. O bispo desenvolveu o tema "Santos - Missionários, como nos quer José Allamano, inspirado no Evangelho de Marcos".

Dom Joaquín é licenciado em Sagrada Escritura pelo Instituto Pontifício Bíblico de Roma e começou sua exposição falando da sua experiência missionária na Amazônia colombiana. Relatou que, certo dia navegava pelas águas do rio Putumayo na companhia de "Pereita" um catequista, animador indígena. Este observava a riqueza e a beleza que o rio Putumayo tem para oferecer às futuras gerações. "O olhar de Perieta mostrava admiração, reconhecimento e a gratidão ao rio", afirmou o bispo. "Quando nos aproximamos da vivência da santidade de José Allamano, Fundador dos missionários e missionárias da Consolata, vemos algo semelhante. É como fazer um mergulho na imensidão do caudal inesgotável das águas de um rio", observou. Apesar de todos os movimentos, dos percursos feitos na história, hoje nos encontramos diante da santidade e vida de José Allamano e temos o desafio de conservar o essencial daquilo que ele tem a nos oferecer.

Inspirado no Evangelho de Marcos (3, 13-19), dom Joaquín analisou as características do chamado e de Jesus quando escolheu seus discípulos missionários. Fez uma relação entre seguimento, discipulado e santidade. "O chamado dá-se no caminho como processo de identificação com Jesus. Segui-lo é estar com Ele para estabelecer uma relação contínua e crescente. Implica uma convivência contínua na qual os discípulos devem ser testemunhas dos gestos de Jesus", destacou o biblista.

Observou ainda que, nos encontramos diante de um chamado a configurarmo-nos com Jesus, adquirindo uma identidade clara que nos permite sermos humildes para abrir-nos à diversidade dentro de uma Família como a Instituto Missões Consolata que cresce em um mundo em transformação. Segundo dom Joaquín, esta chave do seguimento, na perspectiva da santidade, nos permite compreender melhor o convite de Allamano a "colocar a santidade em primeiro lugar". Ela nos ajuda a viver nosso ser e o que fazer como missionários da Consolata: "Fortes, enérgicos e coerentes no apostolado".

Num segundo momento, dom Joaquim Pinzón falou da busca da vontade de Deus, atitude cara na vida de José Allamano. "Vivia convencido que os momentos de piedade e de encontro com o Senhor, de união com Ele, garantiam a conformidade com sua vontade. Por isso, tinha a certeza de que estes omentos não podiam ser deixados por qualquer motivo, já que tinha presente a busca da vontade de Deus por onde passava a santificação", recordou o bispo. É preciso "discernir a vontade de Deus através da presença entre os povos, culturas e pessoas que participam conosco da missão. Isto tudo requer sensibilidade humana, acolhida e escuta das pessoas, sobretudo, onde a vida clama e reclama a consolação do missionário. Escutar a Deus desde o clamor das pessoas", destacou.

Por fim, dom Joaquín Pinzón recordou que, José Allamano teve como primado a busca de Deus e a sua santificação como compromisso com a causa de Jesus. O vínculo direto entre santidade e Missão é o terceiro aspecto sublinhado pelo bispo. "José Allamano em sintonia com o contexto eclesial do seu tempo e com a vida espiritual dos santos de Turim, norte da Itália, viveu a santidade abrindo os olhos e o coração aos problemas da sociedade e propõe com a vida e com sua obra um caminho novo que se identifica com a santidade ao serviço dos pobres". Segundo dom Joaquín, Allamano promove uma espiritualidade e uma ética prática: ver a realidade das pessoas com os olhos de Deus; fazer a opção pelos últimos com compaixão e misericórdia e ações que promovem a vida e a glória de Deus. Dom Joaquim concluiu a sua exposição convidando a todos a esse caminho, citando as palavras de Allamano: "ninguém pode dizer: isto não me toca a mim".

Dom Joaquín Pinzón, IMC, é colombiano, nasceu no dia 3 de julho de 1969 em Berbeo, diocese de Velez Santander. Foi ordenado padre em agosto de 1999. Antes fez uma experiência de missão em Moçambique, África. Em setembro de 2011 foi eleito Superior Provincial IMC na Colômbia, cargo que ocupava quando foi nomeado bispo.

 

Superior Geral desafia os missionários da Consolata para a mudança

Os missionários da Consolata, ao longo de sua história, adotaram muitas formas de organizar a vida interna e a missão na América. Souberam inserir-se no ambiente de vários povos e contextos para anunciar o Evangelho. Porém, os tempos atuais são de mudança e os missionários também são desafiados a mudar. Esta é a opinião do Superior Geral IMC, padre Stefano Camerlengo.

"O mundo está mudando e a mudança é necessária também para nós a fim de termos nosso carisma conectado com a missão ad gentes", disse o padre Geral, na manhã desta terça-feira, dia 4, aos missionários reunidos em Assembleia Continental em Bogotá - Colômbia. As suas palavras foram recebidas como um desafio. Qual é o olhar que esta mudança deve provocar? No passado não se falava sobre determinados temas, pois para ser um bom missionário bastava ser dócil, fazer o bem e seguir as normas da Vida Religiosa. Hoje o mundo é mais complexo e mesmo que não se aceite, está mudando.

Segundo padre Camerlengo, se os missionários da Consolata desejam ter um Projeto Missionário Continental, "devem recuperar e requalificar a identidade IMC, pois somos missionários para a missão ad gentes. Hoje, faz-se necessário respeitar a diversidade. Uma coisa é ter um aspirante que estuda na Ásia, outra um estudante na America latina, pois o mundo mudou e ambos têm algo de novo a oferecer ao Instituto", sublinhou o padre Geral.

Outro aspecto acenado dentro do quadro de mudanças é a presença de muitos missionários vindos do continente africano que oferecem um novo rosto ao IMC. Temas que no passado nem se pensava que fosse abordado, agora surgem e interpelam os missionários para que se abram à interculturalidade e à interreligiosidade. Neste cenário, acentuou padre Camerlengo se "deve dar a máxima valorização à pessoa do missionário. Cada qual deve saber o que pode oferecer ao Instituto e à Igreja neste novo cenário de mudanças, pois não podemos nos deixar estagnar", concluiu ele.

A expectativa é de que, estas interpelações do Superior Geral ajudem a provocar mudanças na vida das comunidades IMC presentes em nove países da América. Podem também levar os missionários a rever e requalificar suas opções missionárias no Continente.

Em seguida, os responsáveis por cada uma das opções missionárias que estão sendo pensadas para compor o Projeto Continental apresentaram à Assembleia como estão sendo formuladas as propostas. As áreas de atuação que estão sendo escolhidas são: missão no contexto da Amazônia, missão no mundo indígena, Pastoral Afro, Animação Missionária e Vocacional, missão no contexto urbano, formação, economia e comunicação. Juntamente com as propostas, foram mencionados os seus aspectos históricos, os desafios e esperanças. As apresentações destas opções seguem na quinta-feira, dia 6. Nesta quarta-feira, dia 5, a Assembleia interrompe seus trabalhos para uma visita guiada ao centro histórico da capital colombiana, parte da programação.

 

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Diácono ugandês reflete sobre “Espírito de Família” como característica do missionário

P Jaime Carlos Patias, IMC

O Espírito de Família proposto por José Allamano e vivido pelos missionários da Consolata no Continente americano com a contribuição europeia, asiática e americana. Este foi o tema de espiritualidade apresentado nesta terça-feira, dia 4, pelo diácono ugandês, Lawrence Ssimwba, durante a Assembleia Continental dos missionários da Consolata que acontece em Bogotá - Colômbia.

Lawrence é graduado em educação, estudo feito antes de ingressar no seminário do IMC, em Uganda no ano 2004. Concluiu os estudos de teologia em Bogotá e depois fez pastoral por um ano em Sucumbiu no Equador. Foi ordenado diácono e atualmente trabalha com a Pastoral Afro na cidade de Cali. Sua ordenação sacerdotal está prevista para o mês de agosto deste ano.

Inspirado no texto do Evangelho de Marcos (3, 31-35), Lawrence mostrou que Jesus apresentou uma nova família, não segundo o sangue, mas segundo a vontade de Deus. "Também José Allamano concebe uma família assim que congrega gente de vários países para fazer a vontade de Deus", sublinhou o diácono para, em seguida recordar que, ser "uma família" foi o sonho do Fundador para o Instituto. "Recordo que o Instituto não é um colégio, mas uma família onde todos somos irmãos", dizia Allamano.
Fundado em 1901 no norte da Itália, o Instituto Missões Consolata começou restrito à região do Piemonte, norte da Itália. Em 1902 foram enviados os primeiros quatro missionários para o Quênia, África. A obra se expandiu pela Europa, América e Ásia. Hoje os seus missionários atuam em 27 países e contam com cerca de mil membros originários de 26 países (433 europeus, 389 africanos, 154 latino-americanos, quinze norte-americanos e seis asiáticos).

Este panorama forma uma "família internacional, pluricultural e multiétnica", constatou Lawrence. "Essa variedade não é uma ameaça, mas representa uma riqueza, uma oportunidade que ajuda a ler os sinais dos tempos e a viver nossa diversidade na unidade onde todos ganham e crescem".

Lawrence explicou também, o significado do seu nome. Em 1982, uma guerra assolava Uganda e ele nasceu a caminho da maternidade. Então o chamaram "Ssimwba", que quer dizer ‘caminho'. "Como missionário, até hoje eu me encontro a caminho", relatou.

Na relação intercultural, cada um tem sua cosmovisão e identidade. "O que nos mantém unidos é um só objetivo: anunciar o Reino de Deus. Somos missionários ad gentes, pobres e por toda a vida. Por isso o Espírito de Família se torna uma espiritualidade", argumentou Lawrence. Para ele, é isso que nos faz viver com o diferente conforme ensinava José Allamano que costumava dizer: "Faltam-nos outras virtudes, porém a caridade não, uma vez que sem a caridade a vida comunitária se torna insuportável".

Outra característica do Espírito de Família é a economia de comunhão que deve identificar o missionário da Consolata. Para isso se necessita uma formação voltada para a interculturalidade. A propósito disso, a congregação já fez um biênio de reflexão sobre o tema.

Sobre as contribuições específicas que pode oferecer, Lawrence explicou que, "para um africano, viver em família, em comunidade, com outros, não é algo estranho. O africano cresce sabendo que o outro é seu irmão. O ‘eu' do africano dá lugar ao ‘nós'. O ‘meu' ao ‘nosso'. As dificuldades para viver esses princípios estão nas pessoas", defendeu.

Lembrou ainda que, o Espírito de Família inspirou os líderes da independência em muitos países africanos, como Julius Nyerere (Tanzânia) que desenvolveu o conceito do Ujamaa (irmandade); Nkwame Nkurumanh (Gana) inspirado na unidade familiar; e Nelson Mandela (RSA) com o Ubuntu, filosofia que se expressa na afirmação: "eu sou por que somos".

"Como em toda a África", recordou Lawrence, "estes são países formados por muitas etnias sendo a unidade um grande desafio, mas o Espírito de Família, vivido numa perspectiva coletiva se torna a base para a unidade. É difícil encontrar um africano que fale uma só língua. Por causa da convivência com outras culturas na região, todos falam mais do que um idioma e crescem ‘interculturalmente'. O missionário africano pode contribuir para uma espiritualidade de resistência, um estilo de missão mais simples, confiando na providência de Deus", avaliou.

Religiosidade popular, reflexão teológica, articulação entre fé e vida, participação dos leigos, emancipação da mulher e proteção do meio ambiente são, segundo Lawrence, algumas características que enriquecem a vida e o estilo de evangelização no Continente.

 

 

 

 


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