Oct 19, 2018 Last Updated 10:01 PM, Oct 17, 2018

Do Quênia para Roraima, ao encontro da sabedoria indígena

Terra Indígena Raposa Serra do Sol foi homologada em 2005 Terra Indígena Raposa Serra do Sol foi homologada em 2005 foto: P. Jaime Patias, IMC
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Missionários da Consolata estão presentes na região há 70 anos. Vatican News conversou com Padre Philip, queniano, enviado à Amazônia em 2013.

A Terra Indígena Raposa Serra do Sol é uma área situada no nordeste do estado de Roraima, às beiras da fronteira com a Venezuela, destinada à posse permanente dos grupos indígenas Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingaricó e Patamona. A área de 1,7 milhão de hectares foi homologada em 2005 após 34 anos de luta. Com mais de 20 mil indígenas, 60% dos quais menores de 15 anos, a população vem crescendo e nas comunidades e escolas diferenciadas, quase a totalidade dos professores são indígenas.

Missionários da Consolata: 70 anos de missão em Roraima

Presentes na região desde 1948, em 1971 os Missionários da Consolata fizeram a opção pelos indígenas e em 1972 passaram viver nas malocas ao lado do povo. Essa opção profética foi assumida mais tarde também pela Diocese de Roraima, o provocou perseguição, difamação e ameaças de morte aos missionários e a Dom Aldo Mongiano, primeiro bispo da diocese. Hoje ele, aos 99 anos, é o mais idoso do Brasil. Depois de Dom Aparecido Dias e Dom Roque Paloschi, a diocese é hoje conduzida por Dom Mario Antônio da Silva.

Quem são

Sete jovens missionários da Consolata africanos: Philip Njoroge Njuma, James Murimi Njimia, Joseph Musito, Jean Tuluba, Jean-Claude Bafutanga, Joseph Mugerwa, Gabriel Ochieng; e o experiente Irmão italiano Francisco Bruno acompanham os povos indígenas. Atuam na área também, três Irmãs missionárias da Consolata.

O testemunho

Depois de estudar em sua terra natal, o Quênia, Padre Philip Njoroge foi enviado a São Paulo para estudar teologia e à Bahia para a pastoral. Além de seu dialeto local, ele já falava swaili e inglês. Superando as dificuldades de uma nova língua e cultura, foi enviado à Amazônia em 2013 e com muita paciência e vontade de aprender, hoje acompanha e caminha com estes novos irmãos.

“Ele são os protagonistas são os indígenas. Nós apenas acompanhamos e caminhamos juntos para que a vida do povo floresça guiada pelos seus direitos, cultura e sabedoria”

Após 70 anos de presença, para uma congregação que tem em seu DNA a missão ad gentes, a vivência na Raposa Serra do Sol ensinou os missionários a caminhar com os povos indígenas, com suas esperanças e lutas, alegrias e conflitos, rompendo fronteiras e padrões de evangelização.

“ Comungamos juntos as alegrias e tristezas ”

Ouça o testemunho de P. Philip à Radio Vaticana.

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