Sep 22, 2018 Last Updated 10:01 PM, Sep 19, 2018

O futuro da Igreja e a Igreja do futuro na África

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O sínodo dos Bispos da África que ocorreu em Roma em 1994, definiu a Igreja como família, devido à natureza dinâmica da própria Igreja e a importância da família no universo africano. A Igreja, como família, simboliza sua identidade e consequentemente, sua missão global. Portanto, a relevância da Igreja na África está, em atender às necessidades e sua contribuição concreta na transformação da sociedade.

Os católicos africanos representam 17% de todos os católicos do mundo. O ritmo de crescimento dos batizados ultrapassa 40%, ainda que a população africana cresça ao ritmo de 23,8%. A pesquisa feita por Pew Forum mostra que, em 2050, a África-Subsaariana terá 1,1 bilhões de cristãos, quase o dobro de seu rival mais próximo para adeptos - o Islã. Embora, muitos missionários e teólogos assinalam que em muitos países africanas, há ainda uma falta de aprofundamento teológico, carece a dimensão profética e a consistência com Evangelho, como também a falta do protagonismo dos leigos. É uma igreja ainda muito clerical, porém jovem.

Hoje a África necessita impulsos juvenil e convicções profundas que vêm da cultura, ética social e espiritualidade para sua renovação. A pobreza, como tal, é material, antropológica, espiritual e social. A mesma se supera, através de uma pedagogia transformadora, investimento nas riquezas locais, disciplina e dedicação no trabalho, boa liderança, criação de mecanismos locais - que controlam meios de produção - e promoção da cultura de sustentabilidade. O continente africano conta com 66 seminaristas para cada cem presbíteros, o que indica uma renovação geracional ativa.

Há necessidade de uma igreja mais participativa não apenas no âmbito da celebração, mas em conjunto à missão, isto é, no múnus profética, real e sacerdotal da Igreja, a ocorrer não somente dos ministros ordenados, mas daqueles que forem batizados. Na Igreja, há profunda igualdade entre todos na dignidade de filhos e filhas de Deus, na vocação à santidade e na missão, sendo que, aquilo que diferencia são as vocações, serviços, ministérios, carismas e dons. Mas todos somos povo de Deus, discípulos missionários de Jesus, com a missão de Evangelizar. “Por instituição divina” diz o Concílio, “a Igreja é estruturada e regida com admirável variedade” (LG 32).

Quanto á maior participação do leigo, teologicamente avançou-se. O Concilio (1962-1965) firmou com clareza a verdade da igualdade fundamental de todos os membros do povo de Deus. O espírito Santo age em todos. Porém, no nível pratico, não se criou um “estatuto jurídico” suficientemente consistente que garantisse ao leigo realmente o direito de participação no interior da Igreja, até no exercício de ministérios, sem precisar depender do beneplácito das autoridades eclesiásticas. Falta-lhe um reconhecimento externo de que ele/ela é também Igreja.

Em resumo, o futuro da igreja e a igreja do futuro dependerão da vitalidade da participação dos leigos. Em uma carta ao Cardeal Marc Ouellet, em 2016, o Papa Francisco recorda que desde o Concílio se falou muito sobre a ‘hora dos leigos’, mas para o Papa esta hora está tardando a chegar. As causas são várias, mas a passividade tem sim certa culpa do próprio laicato, é um fato, mas também das estruturas, que não formam e não permitem um espaço favorável, onde leigos e leigas possam exercer criticamente e com maturidade a sua vocação.

Retomar a originalidade do Cristianismo

O futuro do Cristianismo na África e no mundo como todo está na centralidade do Cristo em suas diversas manifestações- ecológica, política, social, cultural, espiritual e econômica. Isso é voltar ao primeiro amor, retomar a originalidade do Cristianismo. Se na resposta da Igreja antiga precisou se falar que não há escravos ou livres, homens ou mulheres, mas todos são um em Cristo Jesus, deveríamos trazer está máxima para hoje, como uma definição basilar, para que não haja mais clero ou leigos, mas para que todos possamos ser uma só coisa nele.

Os dados revelam que O cristianismo é hoje uma religião do Terceiro e Quarto Mundo. Isso significa que, encerrado o ciclo ocidental, o cristianismo viverá sua fase planetária com uma presença mais densa nas partes do planeta hoje consideradas periféricas. Ele só terá significado sob duas condições:

Em primeira condição, se todas as igrejas se reconhecerem reciprocamente como portadoras da mensagem de Jesus, sem nenhuma delas levantar a pretensão de exclusividade e excepcionalidade, e a partir desta “pericórese” eclesial das Igrejas, juntas, dialogarem com as religiões do mundo valorizando-as com caminhos espirituais habitados e animados pelo Espírito, só assim haverá paz religiosa, que é um dos pressupostos importantes para a paz mundial. E todas as Igrejas juntas chamadas ao serviço da vida e da justiça dos pobres e do Grande pobre que é o planeta Terra, contra o qual se move uma verdadeira guerra total.

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A segunda condição é de o cristianismo ousar se reinventar a partir da Tradição de Jesus e de uma volta profunda da experiência de Deus e do Reino feita pelo Jesus histórico. Segundo a melhor exegese contemporânea, o projeto de Jesus se resume no Pai-nosso. Afirma-se o Pai-Nosso: o impulso do ser humano para o Alto. E o Pão-Nosso: seu enraizamento no mundo. Somente unindo Pai-nosso com Pão-nosso se pode dizer amem e sentir-se na Tradição do Jesus histórico.

 Jesus pôs em marcha um sonho, o do Reino de Deus, cuja essência se encontra nos dois polos, no Pai-Nosso e no Pão Nosso, vividos dentro do espírito das bem-aventuranças. Isso implica corajosamente se desocidentalizar, se desmachistizar, se despatriarcalizar e se organizar em redes de comunidades que dialogam e se encarnam nas culturas locais, se acolhem reciprocamente e formam juntas o grande caminho espiritual cristão que se soma aos demais caminhos espirituais e religiosos da humanidade.

Realizados estes pressupostos, apresentam-se atualmente á Igreja quatro desafios fundamentais. O primeiro é a salvaguarda do sistema-Terra e do sistema-vida, ameaçados pela crise ecológica generalizada e pelo aquecimento global. Não é impossível um catástrofe ecológico-social que dizimará a vida e grande parte da humanidade. A questão não é mais que futuro terá a Igreja, mas como ela ajudará a garantir o futuro da vida e a biocapacidade da Mae Terra. Esta poderá continuar coberto de cadáveres, mas sem nós.

O segundo desafio é como manter a humanidade unida. Os níveis de acumulação de bens matérias em pouquíssimas mãos (1% controla a maioria da riqueza mundial) poderá cindir a humanidade em duas porções: os que gozam de todos os benefícios e os condenados a morrer prematuramente ou até serem considerados sub-humanos. Hoje, tudo entra no jogo da competividade e da lei do mais forte, em que o poderoso engole o mais fraco. Importa afirmar que somos todos filhos e filhas de Deus, nascidos de seu coração.

O terceiro desafio é a promoção da cultura da paz. Os conflitos bélicos, situações das migrações forcadas, os fundamentalismos políticos e a intolerância ante as diferenças culturais e religiosos podem levar a níveis nefastos de violência e, eventualmente, degenerar em guerras letais com armas químicas, biológicas e nucleares.

O quarto desafio é a encarnação nas culturas locais. Depois de haver quase exterminado as grandes culturas e escravizando milhões de africanos, impõe-se a tarefa de ajuda-los a se refazerem biologicamente e a resgatarem a sabedoria ancestral, e de verem reconhecidas suas religiões como formas de revelação de Deus. Para a fé crista o desafio consiste, como o fez nos primórdios, em se encarnar em suas culturas e se sintetizar com seus valores e tradições sapienciais. Daí pode nascer o que se chama africanização do cristianismo de grande originalidade.

A missão da Igreja, das religiões e dos caminhos espirituais, para além dos desafios referidos, consiste em alimentar a chama sagrada da presença do Sagrado e Divino no coração de cada pessoa. O cristianismo humildemente se somará a todos eles, testemunhando que “Deus ama a cada um dos seres que criou porque é o soberano amante da vida” (Sb 11, 26). Ele não permitira que a vida que já foi divinizada pelo Verbo e pelo Espírito Santo desapareça tragicamente da face da Terra. No presente, cabe-nos viver a comensalidade entre todos, símbolo antecipador do Reino, celebrando os bons frutos da generosidade da Mãe Terra. 

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