Oct 17, 2017 Last Updated 9:04 PM, Oct 15, 2017

Em busca do outro “Madiba”

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“Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades,
mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”
Abraham Lincoln

Existe hoje consenso global, e fatos que mostram uma insatisfação total da economia (oiko+nomos) e política (polis). As duas se casaram, mas não há conjugalidade, que supõe liberdade e serviço. O fracasso da democracia, as lacunas nas formalidades de representação, e a manipulação total das mídias, continuam a alimentar as crises. As crises na liderança, na autoridade, como da paternidade e maternidade se ampliam cada vez mais. Na África, estamos ainda com saudade de Nelson Mandela (Madiba) e outros sages como Nkrumah, Patrice Lumumba, Sankara, Steven Biko e Nyerere. Não como personagem miticos, mas como portadores de um sonho “de uma África unida e sustentável”.

Que tipo de sabedoria que os líderes africanos hoje podem aprender de Nelson Mandela? Sem dúvida, (muitas). Porém, aqui destaco apenas a humildade intelectual. Isto é reconhecer a complexidade da realidade e falibilidade humana. Não podem ser líderes que querem fazer tudo sozinhos, escondidos e nem aceitam críticas, mesmo construtivas. Pior ainda, ameaçar liberdade das empresas e dos partidos opositores.  Não podem.

Infelizmente, na África ainda sobram políticos com seus partidos que fazem tudo para serem “presidentes eternos”. A saber:Joseph Kabila (RDC-Congo), Yoweri Museveni (Uganda), Eduardo dos Santos (Angola), Pierre Nkurunziza (Burundi), Robert Mugabe (Zimbabwe), etc. Não é possível para o continente avançar com esses profetas da desgraça! Com certeza, são os primeiros inimigos da África. A tese de que os piores inimigos da África estão mais dentro que fora, é verdade.

Ao comemorar, anualmente, o dia 25 de maio, como dia da África, devemos nos perguntar: até que ponto conseguimos unir, reconciliar e emancipar o continente nesses 50 anos depois da nossa “independência”? A questão central não é o que o governo fez ou deixa fazer, mas qual é a minha contribuição como cidadão consciente nessa construção mútua? A maioria de nós caímos na categoria dos “analfabetismos políticos” ou na raça dos “reclamadores”. Há o desinteresse generalizado para o rumo que a classe dirigente empurra a sociedade. E por seguinte, reclamamos de tudo e de todos. É um apodrecimento espiritual e um vazio do poder.

A África não quer alguém com poder sem autoridade moral, por favor! Isso vale para todos, mesmo os líderes religiosos. Tipo: os ditadores, os corruptos, e os fundamentalistas religiosos. E outros com função sem unção, que faltam inteligência emocional e não têm compaixão pelo povo.

 A epistemologia africana acredita no poder enquanto serviço e compromisso. Ela acredita na democracia não importada, mas encarnada nos contextos, tecidos e anseios africanos. O mundo atual das “incertezas”, e a África em particular, devem muito à Mandela, especialmente à sua crença na diplomacia do amor, do perdão e da reconciliação.

Madiba” morreu com seus 95 anos defendendo: a sacralidade da vida humana, as igualdades raciais, a liberdade de pensar, e o bem-estar de todos. Será que também é a nossa luta ver os Índios, Afro-brasileiros, Migrantes, enfim, os esquecidos terem seus direitos, não privilégios, garantidos? Duvido! Será que a futura geração dirá de nós que, de fato, lançamos as bases para a erradicação da pobreza mundial; que conseguimos estabelecer uma nova ordem mundial, baseada no respeito mútuo, na paz, e na equidade?

NOVA GERAÇAO: MEMORIA, PODER E UTOPIA

O que está em jogo, em primeiro lugar, é a tradição viva. Não se trata só dos conteúdos, de uma formação teórica, mas do que transmitimos – para o bem ou para mal – com a própria vida. O que nos faz viver? O que nos alimenta e sustenta nossos sonhos, nossos entusiasmo e esperança? E de que geração se trata? Aqui estão, também, as diversas gerações que constituem hoje a África: tanto as tradicionais, como as modernas, tanto as rurais quanto as urbanas.

Para achar outro Nelson Mandela, depende muito da nova geração atual. Depende de uma nova geração com nova atitudes e formação humanista; de uma educação integral (tirar para fora aquilo que já existe), que coloca o ser humano no centro. Não é como dono da verdade, mas um co-criador das relações e instituições.

 Antes de mais nada, as novas gerações devem ser autenticamente africanas. Isso equivale a se iniciar nos verdadeiros valores africanos e confiar em sua identidade cultural, a exemplo de Madiba. Os educadores, que são toda família e comunidade no âmbito africano, devem ser “maiêuticos”. Ou seja, os parteiros, que ajudam a “criança” a nascer. Para renascimento, da nova África, a família desde cedo tem a tarefa de despertar os jovens/instituições para ideias nobres. Botar o entusiasmo (in +theos) pelas grandes causas. Que é uma carência na nossa pós-modernidade tecnocrata e líquida. 

Nelson Mandela tem muito a nos ensinar como cristãos em relação à política (polis). A fé política vive na memória viva da entrega de Jesus (o prisioneiro político) na cruz para nos salvar (salus). Vive de um amor preferencial e libertador que se faz semente, que dá a vida abundante e plena aos que creem. Madiba é um ancestral vivo, que é atualizado no tempo/templo pela experiencia da paz e da reconciliação. Se não preservarmos a memória perderemos esse tesouro, e sem sua atualização congelamos e mumificamos a epifania de Deus na história.

A educação-patriótica, que liberta e transforma a África por dentro, deve produzir estadistas e não apenas políticos. Um político pensa na próxima eleição; um estadista, na próxima geração, como diria James Freeman Clarke. Descanse em paz (wekenã, amani, sawabona, alafia), Ó MADIBA, nosso ancestral. Amém!

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