Jun 25, 2017 Last Updated 8:35 PM, Jun 21, 2017

África e Concílio Vaticano II

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A teologia da recepção do concílio vaticano II no contexto africano e seus desdobramentos na atualidade.

O Concílio Vaticano II possui vivacidade histórica e sua compreensão nos remete os três momentos fundamentais: seu surgimento, seu desenvolvimento e sua recepção em termos teológicos e históricos, por ser um evento de identidade que envolve agente sociais, com seus contextos históricos determinados, dentro da fé crista situada na história.

 A recepção é o elemento de verificação mais importante, pois revela quais as dimensões foram capazes de passar para o quotidiano da igreja, que outras deixaram de ser assimiladas e até mesmo as que foram seletivamente abandonadas. A recepção do Concílio Vat. II, no sentido geral tornou-se complexa, pois foi o primeiro Concílio realmente ecumênico e universal, tanto no conteúdo e na composição dos seus membros vindos das igrejas dos cinco continentes.

A presença da África no Vaticano II foi marginal e inaudível. Embora, tecnicamente, a Igreja não era "africana" no sentido assim da representatividade, portanto, quase impossível imaginar que a Igreja da africana tenha muito influência no Concílio. Fora das intervenções esporádicas do Cardeal L. Rugambwa da Tanzânia não tinha mais nada.  Portanto, o Concílio foi muito mais europeia devido o contexto histórico também.

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Para descrever e avaliar a recepção, o impacto e a implementação do O Concílio Vaticano II em África exige a compreensão da realidade política e social do continente durante o período de anúncio, convocação, deliberação e conclusão do concílio (1959-1965). O concílio aconteceu, ou seja, coincidiu com a movimentação política e revolução cultural em busca da independência no continente.

Embora o cristianismo chegou na África sob a umbrela do colonialismo, a igreja católica através da sua atividade formativa e de promoção humana, fomentou indiretamente o nacionalismo e lutou junto a povo pelos seus direitos. No campo da reflexão teológico-pastoral se deram passos significativos no sentido hermenêutica-de interpretar e traduzir o evangelho segundo os anseios, tecidos e estilo africano.

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O TEXTO EM CONTEXTO

Era um momento em movimento da transferência de poder político dos colonizadores aos líderes africanos inexperientes. Neste sentido, a excitação religiosa ocasionada pelo anúncio e convocação do concílio, coincidiu com a excitação secular sobre a emancipação política da África.

Os temas conciliares com localização/igreja local, autonomia, pluralismo das religiões/ dos pensamentos, reconhecimento dos valores das outras religiões e culturas, aproximação ecumênica e o uso das línguas maternas na liturgia, são as mesmas agendas que significava a descolonização na África. São agendas que deve ser revisitada e aprofundada na atualidade. Por exemplo, ainda estamos atrasados em relação de participação dos fiéis de alguma maneira na designação dos párocos, bispos. E seu comportamento a ser submetido ao voto popular depois de pelo menos três anos.

Mesmo com essa correlação das promessas do Concílio Vaticano II para Igreja e a onda das mudanças sócio-político na África, a recepção do concílio em África deve ser examinada criticamente. Isso é sine qua non!

Fazendo um flashback de 50 anos desde o concílio, a tentação é grande para concluir que, tanto a esperança da independência política e o aggionarmento do Concílio falharam em trazer mudanças significativas que o continente necessitava e esperava. Precisamos ainda, concretamente, experimentar as intuições do concílio nos gestos e gestão da igreja da África.

Existe três fatores da categoria teológica, eclesiológica e demográfica que ajudam compreender a participação, contribuição e o lugar da África no concílio. Se procedemos de axioma de que synodu episcoparum est, talvez podemos ter a primeira impressão do concílio Vaticano II e seus impactos no continente. Em relação a composição dos conciliares-os bispos africanos eram muito pouco.

Portanto, os bispos africanos nativos falharam significamente em influenciar o concílio. Os temas eram percebidos como “muito europeia” não apenas pelos 61 bispos africanos nativos, mas também pelos bispos missionários. Mas também, as conferencias episcopais africanas se constituíram somente durante o Concílio, com um secretário-geral sob a direção do Cardeal Rugambwa.

Na categoria eclesiológica, podemos dizer que, até 1960 a igreja na África podia dificilmente ser qualificada como “africana”. Em termos da liderança e direção a igreja na África antes e durante o concílio era muito eurocêntrica em organização, consequentemente, a sua pastoralidade. Portanto, os bispos africanos tinham que assistir e no final votar algo que tinha pouco a ver com a realidade das igrejas locais.

No status teológico, até nos anos 60 a teologia africana estava ainda no formato. É nos debates conciliares que a teologia africana começou a ser visto como possível disciplina viável. Consequentemente, a África faltou os teólogos expertises e capacidade institucional de colocar em pauta as questões pertinentes. Essa lacuna começou com a composição dos próprios delegados. Tudo isso mostra que o corpo da igreja da África não estava preparado para o concílio. E a igreja hoje acolhe os frutos que plantou, desde a primeira evangelização no continente até hoje. Até hoje, por exemplo, ainda tem muita distância e medo dos leigos em relação os padres e bispos. O padre, ou seja, o clero ainda é muito mais voltado para a burocracia e um certo de um padre mais “feiticeiro” que missionário.

Por isso, a insistência no processo da Inculturação. Porém, a inculturação, antes de mais nada, é um testemunho concreto da mística evangélica do Cristo. É ceifar antes de semear. Em todas dimensões e esferas, a África precisa posturas profético-sapiencial em relação as questões e dúvidas que o continente enfrenta. Esse inculturação, que necessariamente, exige um pluralismo teológico deve começar dentro das igrejas e das instituições religiosos. A igreja não tem monopólio da verdade, o contrário seria contradizer o concilio, portanto, o próprio Cristo.  

A hermenêutica do concílio Vaticano II trouxe na África, a desejabilidade, e possibilidade da teologia africana, especialmente cristologia (africanizando o cristo), por que a experiência teologal já existia em tempo imemorial.

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A RECEPÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO

A recepção, contudo, não é um processo pontual e linear; na história em geral. Por isso, o concílio tem encontrado objeções, resistências, e rejeições consideráveis. Mas a coincidência e intersecção do evento do Concilio Vat II com as independências dos países africanos fez com que a recepção fosse mais fácil. E o estabelecimento da realidade chamado, “african church” foi possível, algo que não existia antes. E o atual “fenômeno Francisco” felizmente, continua trazendo revolução, com as reformas inacabadas. Isso é colocando o evangelho acima, o amor, a sensibilidade, o cuidado, a compaixão. Afinal, a palavra dele é misericórdia como punctum dolens, como o ponto exato em que precisa colocar a agulhinha da acupuntura. E para isso precisa ser um bom acupunturista, saber bem as técnicas de colocar no lugar certo para não criar dormência e para fazer estímulos ou para cuidar das dores.

Na África, tendo uma igreja sem comunidades de bases ativas, tendo leigos sem protagonismo próprio, e o centralismo exacerbado de poder nas mãos dos poucos é grande obstáculo. O próprio conhecimento e a implementação do concílio foi (é) geralmente é pouco nos fieis. O caminho ainda é longo para chegar. A igreja deve se levantar e se questionar sobre tudo sua missão no interior e fora dos seus muros.

Esse kenosis eclesial é indispensável. Não pode continuar no remendo novo em pano velho. A igreja africana deve se perguntar sua contribuição na vida públicas, como na cidadania, sexualidade e política, que está praticamente agonizada. Contudo, o progresso na fé alegre e no jubiloso anúncio do evangelho a toda criação, de um modo critico, impõe uma transparência convincente e um clima de sinceridade e de confiança reciproca.  

 

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