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JMJ DE MADRID: BENTO XVI FALOU AO CORAÇÃO DOS JOVENS PDF Stampa E-mail
Scritto da P. Elisio Assunção, IMC   
Lunedì 22 Agosto 2011 06:57

papa_jmj3Bento XVI falou ao coração dos jovens

«Chegamos ao momento culminante desta Jornada Mundial da Juventude»: a missa e o envio dos jovens que teve lugar em Cuatro Vientos. Bento XVI dirige-se aos jovens na homilia, para lhes dizer que “a Igreja não é uma simples instituição humana”.

Mais de um milhão de jovens respondeu à homilia do Papa, no aeródromo de Cuatro Vientos, que está a celebrar o seu primeiro centenário. Com um impressionante silêncio. Seguiram-se uns breves momentos de reflexão e oração. “Fé e seguimento de Cristo estão intimamente ligados”, lembrou Bento XVI aos jovens. “Cristo dirige-se a vós com a mesma pergunta que fez aos discípulos: Vós quem dizeis que eu sou? Respondei-lhe com audácia e generosidade, como convém a um coração jovem, como o vosso”.

“Permiti que vos convide esta reforçar esta fé que nos foi transmitida pelos Apóstolos, a pôr Cristo, Filho de Deus, no centro da vossa vida”. Num mundo individualista, Bento XVI avisou: “Não se pode seguir sozinho. Quem cede à tentação de caminhar «por sua própria conta»”. Quem assim faz, “corre o risco de nunca encontrar Cristo ou de acabar por seguir uma imagem falsa d’Ele”.

Com ternura, Bento XVI dirigiu-se ao coração dos jovens: “Peço-vos, caros amigos, de amar a Igreja que vos regenerou para a fé, que vos ajudou a conhecer melhor a Cristo, que vos permitiu descobrir a beleza do seu amor”. E apontou-lhes o caminho da missão: “Não é possível encontrar Cristo sem dá-Lo a conhecer aos outros”. É importante o papel dos jovens: “O mundo precisa do testemunho da vossa fé, tem necessidade de Deus, certamente”. Os jovens em todo o mundo esperam este anúncio: “Compete a vós a extraordinária missão de ser discípulos e missionários noutras terras e países onde existe uma multidão de jovens que aspiram a coisas maiores”.

 

Grande parte da JMJ «joga-se fora de campo»

Várias centenas de milhar de jovens ficaram fora do parque dos Cuatro Vientos. Iam e vinham de uma porta de acesso à outra, sem conseguiram entrar no aeródromo. Dentro do recinto da vigília de oração, Bento XVI respondia às perguntas de cinco jovens.

Da estação de metro «Aviacion Española» até Cuatro Vientos, cuja estação está encerrada desde a manhã 20 de Agosto até à partida do Papa, 21 à tarde, vão mais de meia dúzia de quilómetros. As largas artérias que conduzem até ao aeródromo estavam repletas de jovens que faziam alguma fatiga a deslocar-se até às portas de acesso do recinto, onde decorrem as cerimónias da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). O período de entrada no recinto para a vigília de oração estava fixado entre as 16 e as 18 horas. Mas o desconhecimento do horário e as elevadas temperaturas da tarde levaram a que muitos jovens chegassem mais tarde aos locais de acesso ao recinto, tendo-os encontrado encerrados quando aí chegaram para participar nas cerimónias da vigília. Pouco antes da chegada de Bento XVI ao aeródromo militar os acessos terão sido encerrados “por motivos de segurança”.

Muitos grupos de jovens optaram por acomodar-se nas cercanias, esperando que as portas de acesso fossem abertas. Outros procuraram um lugar onde se prepararam para passar a noite. Viam-se um pouco por todo o lado, jovens que abriram as suas mochilas e estenderam os sacos de dormir no chão. Muitos outros tomaram a estrada do regresso a casa, formando longas filas de quilómetros que se moviam em direcção ás estações do metro. No interior do recinto, calcula-se que estaria mais de um milhão de jovens, no exterior esse número, se fosse possível avaliá-lo, poderia chegar ao dobro, ouvia-se dizer entre os jovens.

Dentro do recinto, durante a vigília de oração, Bento XVI respondia às perguntas de cinco jovens - dos Estados Unidos, Filipinas, Quénia, Alemanha e Reino Unido: “Convido-vos a pedir a Deus que vos ajude a descobrir a vossa vocação na sociedade e na Igreja, e a perseverar nela com alegria e fidelidade”. São palavras que o Papa atesta com a serenidade e o sorriso sempre presente nos seus lábios. “Vale  a pena acolher no nosso coração o chamamento de Cristo e seguir com valentia e generosidade o caminho que Ele nos propõe”, garantiu o Papa aos jovens, antes de encerrar a vigília de oração em Cuatro Vientos. Entretanto uma trovoada trouxou uma chuva passageira, que ajudou a refrescar o ambiente. Uma forte corrente de ar levou a que ua tenda desabasse, atingindo alguns jovens, sem no entanto causar algum ferimento. Felizmente não passou de um susto.

  

 

Partida de Madrid para Rio de Janeiro

Belíssimas imagens em que o vermelho de Espanha se junta ao verde do Brasil para lhe entregar a cruz das Jornadas Mundiais da Juventude, depois de Bento XVI anunciar que “a sede da próxima JMJ, em 2013, será em Rio de Janeiro".

O cardeal polaco, Estanislau Rylko, presidente do Conselho Pontifício dos Leigos afirma que os jovens de hoje são a “geração que busca Deus”. Em seguida chamou-lhe “a juventude do Papa”, a que Bento XVI respondeu com um sorriso. “Estes jovens encontram um pai que lhes quer bem, um mestre da fé, uma guia seguro”. Pelo seu lado, os jovens,  no final destas jornadas maravilhosas,  respondem com uma grande ovação e aplausos. “Os jovens expressam a sua filial devoção e a sua gratidão”, ao Papa, disse o cardeal polaco.

Segue-se o “momento importante e tão esperado do envio missionário”.  O cardeal Rylko explicou ao Papa que os jovens “estão impacientes para serem enviados ao mundo inteiro”. E terminou pedindo: “Santo Padre bendiga este povo de jovens missionários, prontos a partir para dar testemunho até aos confins da terra”.

“Os vossos amigos quererão saber o que mudou depois de terdes estado com o Papa”, disse Bento XVI. “Aos jovens que esperam o vosso regresso transmiti-lhes o meu afecto”.  O Papa confessou: “Estou deveras impressionado com o número de bispos e sacerdotes que participaram nesta jornada”. Os sacerdotes presentes eram 14 mil.

O Papa anunciou que Rio de Janeiro receberá a próxima JMJ, em 2013. Um grupo de jovens brasileiros deslocou-se para junto do altar, onde receberam a cruz das Jornadas Mundiais da Juventude. Os numerosos brasileiros presentes em Cuatro Vientos irromperam em aplausos de júbilo pelo anúncio que será o país do mundo que tem o maior número de católicos receberá a próxima JMJ. E os jovens partiram em missão.

 

 

Cristianismo na Europa está a atravessar um Outono

 Cardeal arcebispo de São Paulo acredita no futuro do cristianismo na Europa. É preciso não deixar morrer a boa cepa. Odilo Scherer mostra-se preocupado com a transmissão da fé às novas gerações

“Os jovens são o rosto jovem da Igreja”, afirmou a FÁTIMA MISSIONÁRIA, em Madrid, o cardeal de São Paulo, Odilo Scherer. “Os jovens professando a fé, buscando a Igreja, são um testemunho muito bonito que fala por si só ao mundo”. A Igreja está interessada nos jovens e “Jesus Cristo interessa aos jovens”, para dar sentido à vida deles. “É muito importante que procuremos envolver os jovens na vida da Igreja, na evangelização”. Sem esse envolvimento, “existe o perigo de interromper a corrente da transmissão da fé que, de geração em geração, foi transmitida integralmente através do povo que crê”. O Evangelho é importante na vida do povo. “A nossa esperança é que os jovens casando, formando famílias, vão continuar a fazer o que sempre foi feito, a transmitir o evangelho de maneira espontânea, consciente e valorizando o que temos na nossa Igreja, na nossa fé”, explicou o arcebispo de São Paulo, presente em Madrid para tomar parte na JMJ.

Odilo Scherer espera que “o Papa encontre muitos jovens e que eles manifestem todo o seu entusiasmo com o Papa. Acho que vai ser muito bonito”. E acrescenta: “Os jovens são sempre jovens, são sempre a geração nova”. Para o cardeal “eles continuam a aderir à fé, continuam a crer”. É um fenómeno, porventura “incompreensível para quem achasse que a fé já não é para os nossos tempos”. A presença de numerosos jovens em Madrid atesta o contrário. “Os jovens continuam a ter que ver com a Igreja, com a fé, com Jesus Cristo. E nós temos que nos esforçar para lhes apresentar a oportunidade para o encontro com Cristo, para um conhecimento maior da fé e da vida da Igreja”.

O arcebispo de São Paulo espera que a Europa “supere a crise por que está a passar no momento presente e que possa continuar a produzir muitos frutos”. Para explicar a sua ideia Odilo Scherrer socorre-se de uma imagem. “Imagino que talvez estejamos num Outono. As árvores perdem as folhas e preparam-se para uma nova Primavera. Espero que seja assim com a Igreja, porque a cepa é boa”. O passado e a história da Igreja são um património inestimável. “Há muita base, muita raiz cristã na Europa. É só não deixar morrer e voltar a mexer com a cepa boa que aqui existe. O cristianismo vai florescer novamente”.

 

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