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Um movimento impressionante de milhares e milhares de jovens converge para a Praça Cólon, onde inicia a via-sacra, esta noite, às 21,30, presidida por Bento XVI. Acompanham-no 14 peregrinos que significam os sofrimentos dos jovens mo mundo de hoje.
Esta tarde, com o passar das horas os jovens encaminhavam-se continuamente para os locais por onde se desenrola a via-sacra. São menos ruidosos, já algo desgastados pelo calor e pelo cansaço, mas em cujos olhos brilha o sorriso e a alegria. Jovens voluntários, de quando em vez, vão borrifando os transeuntes com uma chuva miudinha para refrescar e tornar o ar mais respirável húmido. Os passos da via-sacra são representados com belíssimas obras de arte trazidas de várias cidades de Espanha pelas suas respectivas irmandades.
No Parque do Retiro, uma enorme área verde ali ao lado da Porta de Alcalá, milhares de jovens passam pelos stands da Feira Vocacional. Em cerca de 100 pequenos pavilhões os membros das mais diversas congregações e organismos eclesiais apresentam os seus carismas. São frequentados por jovens e menos jovens que se mostram interessados em conhecer as diferentes formas de vida consagrada que enriquecem a Igreja de Jesus Cristo. Centenas e centenas de milhar de panfletos são distribuídos para proporcionar uma informação mais resumida que podem levar com eles.
Mais ao fundo do parque, num espaço denominado «Festa do Perdão», estão instaladas algumas centenas de confessionários brancos, alinhados em duas longas filas. São numerosos os jovens que desejam reconciliar-se, aguardam a sua vez de irem ao encontro do sacerdote que, em nome de Cristo, cura as feridas do coração e purifica as consciências. Bento XVI estará no Parque do Retiro, sábado, 20 de Agosto, para confessar alguns jovens, num gesto que pretende sublinhar a importância do sacramento da reconciliação.
Adolescente lisboeta achou que “seria engraçado”
Sentada no lancil do jardim do Parque do Retiro, com a bandeira portuguesa no regaço, Filipa Barata, faz uma apreciação da JMJ na tarde de sexta-feira. “O ambiente é mesmo fantástico”. Está em Madrid com o grupo de jovens crismados da sua paróquia, Olivais Sul, Lisboa
Dezenas e dezenas de milhares de jovens enchem o enorme Parque do Retiro. Uns mais jovens do que outros, vão e vêm entre os pavilhões da «Feira Vocacional», junto ao parque da “Festa do Perdão”, ou simplesmente pelas alamedas refrescando-se do calor, que passa dos 40 graus. Muitos descansam estendidos sobre a relva ou sentados saboreando um gelado ou uma bebida fresca. Filipa Barata, 17 anos, 12º ano, ouviu falar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) na sua paróquia. “Estive a pesquisar e a ver o que era, porque ainda não tinha ouvido falar”, explica a jovem da paróquia de Olivais Sul. “Achei que era uma experiência que seria engraçada. Era também a possibilidade de ver o Papa e de ouvir as suas palavras”. Em Lisboa, “só o vi nos ecrãs”. Aqui, “já consegui vê-lo um bocadinho quando ele passou no papamóvel, mas só lhe vi a cabeça. Não consegui ver mais”.
Para além de querer ver e estar junto do Papa, Filipa Barata sentiu-se atraída pelo ambiente da JMJ: “Queria ver pessoas de todo o lado do mundo. Queria ver a união das pessoas na fé cristã”. Valeu a pena ter vindo. “Acho que as minhas expectativas foram imensamente superadas. Há muita gente, veio tudo para o mesmo motivo: estar com o Papa e ver o Papa”. Filipa sente-se bem neste vai-e-vem de jovens: “O ambiente é mesmo fantástico, muito acolhedor, muito alegre. Toda a gente está feliz. Tenho passado por muita gente de países diferentes e todos falam uns com os outros”.
A jovem de Olivais Sul está impressionada em ver tanta gente reunida pelo mesmo motivo: “Muita gente que adora a Cristo, que está aqui por Ele. Reuniram-se aqui pelo Papa”. E acrescenta: “Vou reter as palavras dos bispos, os seus ensinamentos”. Filipa Barata faz parte do grupo de jovens crismados da sua paróquia. “Reunimos todas as semanas. Gosto muito do meu grupo”. Quase todo o grupo veio a Madrid: “Estamos cá 22”. Para estar em Madrid e ver o Papa, “arranjámos dinheiro para a viagem a vender bolos nas paróquias e cada um pôs do seu. Não foi difícil juntar o dinheiro”. |